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O D.O.M. DA AUTOGESTÃO

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Autogestão? Você pode estar se perguntando: “afinal, o que é isso? ” “Por que eu devo me preocupar com isso? ” “Como isso pode afetar minha vida? ” Enfim, toda vez que uma nova expressão surge no mercado, ela costuma provocar muitas indagações e a intenção é mesmo essa. Sacudir a mente das pessoas para produzir novos entendimentos da vida, novas ações e resultados.

Hoje, vamos abordar a autogestão no campo pessoal e tratar de caminhos para o desenvolvimento de capacidades internas que possibilitem vencer desafios e transformar sonhos em realidade. É assumir a responsabilidade da sua própria vida de modo integral.

A palavra gestão traduz um conjunto de funções gerenciais. São elas: definição de objetivos e metas, planejamento de ações,  organização de recursos necessários, execução do plano de ação, monitoramento e avaliação de resultados obtidos.

A proposta é que apliquemos esse conceito, do mundo corporativo, em nossas próprias vidas, saindo da condição reativa para uma posição mais empreendedora de si. Nesse post, o BLOGSFERAS tem o intuito de apresentar um método de crescimento pessoal  composto por três dimensões, denominado O D.O.M. da Autogestão. É um processo de autodesenvolvimento que explorará os caminhos do DOMÍNIO PESSOAL, da ORIENTAÇÃO PARA RESULTADOS e da MUDANÇA DE MENTALIDADE para que todos sejam capazes de se empoderar de talentos e pontos fortes e realizar sonhos.

DOMÍNIO PESSOAL:

Significa encarar a vida como um trabalho criativo e vivê-la da perspectiva criativa e não reativa, segundo Peter Senge. É sair da defesa, é abandonar as desculpas consoladoras e agir em prol de nossos próprios sonhos, visão de futuro e propósito.

Ao incorporarmos o DOMÍNIO PESSOAL dois movimentos surgem:

  1. Contínuo esclarecimento do que é importante para nós – O QUE EU QUERO?
  2. Foco direcionado para o entendimento preciso da realidade que nos cerca – ONDE ESTOU AGORA?

É um contínuo processo de aprendizagem, onde o autoconhecimento é o grande maestro e a visão de futuro é a partitura da música que queremos produzir. Essa parceria associada a plena utilização dos instrumentos e contexto irão construir o espetáculo desejado.

Pessoas que possuem alto domínio pessoal apresentam algumas características comuns, tais como:

  • Têm senso de propósito por trás de suas visões e metas; elas não agem só por status ou no automatismo, mas sim dentro de uma perspectiva clara do que querem para suas próprias vidas.
  • Enxergam a realidade atual como aliada e não inimiga, assim não perdem tempo com reclamações do tipo “o mundo não é justo”.
  • São curiosas, querem ver a realidade de forma mais precisa, se desvencilhando de visões pessoais e paradigmas.
  • Sentem-se conectadas com outras pessoas e busca nelas um meio de se manter mais próximo da realidade.
  • Trabalham com as forças da mudança e não contra elas, pois enxerga valor e benefícios advindos do novo.
  • Não sacrificam sua singularidade, ao contrário, reconhece seus pontos fortes e onde pode agregar valor ao mundo.
  • São conscientes de sua ignorância, não se enxergam como os detentores de todo o conhecimento do mundo; são humildes para aprender e aprender.
  • São autoconfiantes, lançam-se ao desafio e mantêm a autoestima elevada.

ORIENTAÇÃO PARA RESULTADOS:

Normalmente, as pessoas confundem atividade com resultado e, no final do dia, mês ou ano, sentem-se esgotadas por terem trabalhado tanto e insatisfeitas por não ter alcançado seus objetivos pessoais. Na verdade, as tarefas são meios para alcançar o resultado desejado, portanto tempo e esforço devem ser administrados em função disso.

Certa vez, uma cliente me relatou que estava se sentindo muito brava e insatisfeita com seu chefe, pois ao longo do ano ele pediu várias vezes para ela cobrir a ausência de alguns gerentes de outras praças e que isso significou trabalhar dobrado para não deixar cair a participação de mercado dessas regiões. O que aconteceu foi que ela não conseguiu bater a própria meta e sua avaliação de desempenho ficou negativa. Daí perguntei: “mas, em primeiro lugar, o que era esperado de seu papel na Organização? ” Ela arregalou os olhos com espanto e disse: “é, eu falhei! ”

Na dimensão ORIENTAÇÃO PARA RESULTADOS, a pessoa deve se habituar a definir metas e controlar resultados. Nesse momento, a visão sistêmica e a flexibilidade são competências fundamentais para que se consiga dar saltos e realizar muito mais.

Um bom exemplo disso são os chamados empreendedores de sucesso. Profissionais que parecem ter o dom natural para construir negócios, impérios e transformar as condições vigentes em algo muito maior que o esperado. Essas são pessoas autoconfiantes, que não descolam a tarefa do resultado, assumem riscos e topam desafios. Pensam além, estão com a cabeça no futuro e atuam como verdadeiros líderes criativos e inovadores.

MUDANÇA DE MENTALIDADE:

Você tem prestado atenção no que pensa ultimamente? O que sua voz interior anda lhe dizendo? E suas decisões e escolhas, estão sendo feitas em prol dos seus sonhos?

MODELO MENTALNessa dimensão, o foco é analisar o modelo mental frente à visão pessoal de futuro, objetivos e metas. É identificar como vemos o mundo e como agimos em função disso. Mas afinal o que é modelo mental? Cada pessoa ao longo da vida vai reunindo na mente um conjunto de imagens, histórias, crenças, pressupostos, valores, etc., que determina a forma como ela percebe o mundo e reage a ele.

Para exemplificar: imagine duas pessoas chegando numa festa exatamente na mesma hora. Se fôssemos perguntar o que enxergaram ao entrar, certamente cada uma diria coisas bem diferentes, pois o mapa mental é pessoal e capta apenas o que faz sentido para ele.

Você deve estar se perguntando, mas dá para mudar o mapa mental? Sim, ele é dinâmico e vai se modelando de acordo com as nossas experiências e aprendizados na vida. Algumas práticas são aconselháveis para provocar a mudança do modelo mental que não está nos ajudando a alcançar o alvo desejado, vejamos:

  • Faça autoquestionamentos frequentemente, não permita que o senso comum lhe domine;
  • Mantenha-se aberta ao diálogo com pessoas de diferentes pontos de vista;
  • Seja flexível diante de mudanças;
  • Saboreei o novo, saia da zona de conforto;
  • Estimule sua mente sempre e adicione mecanismos que irão funcionar como modelador mental – por exemplo: cole frases motivadoras em locais onde você mantém seu campo visual ativo.

Desenvolver o D.O.M. da Autogestão é um processo que tem começo, mas não fim. O início, na verdade, ocorre com a sua decisão de buscar o próprio autodesenvolvimento, seja através de leituras, coaching, workshops, cursos e treinamentos. No começo você vai sentir um pouco de dificuldade e isso é natural, mas force um pouquinho para inserir essa perspectiva em sua vida e você irá perceber mudanças positivas acontecendo. Acredite que essa jornada é uma recompensa.

CRISTINA GASPAR | Coach de Alta Performance e Carreira | Palestrante e Trainer

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DESAFIO: A DANÇA DA VIDA

Girl jumping with rose petals in air
Qual é o seu ritmo?

Vou contar a história de duas mulheres que conheci, ambas de origem humilde, estão por volta dos cinquenta anos e são mulheres bonitas pela própria natureza. Uma conversa recente com elas me despertou para pensar sobre o que falta ou sobra para que o momento de vida de cada uma seja tão distinto e os resultados tão diferentes. Vamos a elas…

A HISTÓRIA DE ANA

Ana nasceu na zona leste de São Paulo, em uma família de parcos recursos financeiros, mas com muita garra para sobreviver e crescer. Ana não tinha condições de estudar, logo cedo começou a trabalhar, se casou e teve duas filhas. Aos trinta anos, Ana secretariava o vice-presidente de uma importante empresa. Como não tinha curso superior e com as mudanças no mercado de trabalho, Ana acabou decidindo ir trabalhar com a família, pois sentia insegurança pela falta de estabilidade em seu emprego.

Desde então, Ana trabalha com familiares e nessa trajetória ela viajou por vários países e aprendeu muita coisa. Porém, um dia, ela me revelou uma revolta com a vida. Ela me disse que sempre sonhou em chegar aos cinquenta anos aposentada e sem ter mais obrigação com nada. “Esperava ter uma vida tranquila”, essas foram as palavras dela.

Hoje Ana sofre com problemas de saúde, demonstra sinais de depressão e perdeu o brilho pela vida.

A HISTÓRIA DE RENATA

Renata nasceu na zona leste de São Paulo, em uma família de parcos recursos financeiros, mas com muita garra para sobreviver e crescer. Renata não tinha condições de estudar, logo cedo começou a trabalhar e passou a ter o sonho de se tornar empresária. Aos trinta e poucos anos, Renata já era dona de uma confecção de roupas e acessórios femininos de médio porte. Possuía um padrão de vida elevado e tinha gostos caros.

Renata teve uma filha e dois casamentos. No segundo matrimônio, Renata delegou funções para seu marido e, quando se deu conta, sua empresa havia falido e ela tinha perdido tudo o que conquistou. Pior, ela tinha adquirido uma dívida de milhões, praticamente impagável.

Renata entrou em depressão, teve que começar de novo como funcionária de uma confecção, afinal ela era uma vendedora imbatível. Como o que ganhava não a satisfazia, Renata começou a olhar outras possibilidades de elevação de sua renda, até que descobriu o mercado imobiliário como uma boa alternativa. E ela se jogou de cabeça como corretora de imóveis de alto padrão.

Hoje, Renata tem uma vida boa, apesar de continuar com a dívida. Viaja com frequência, tem uma imagem jovial, adotou o ciclismo como hobby e está namorando o João, companheiro de pedaladas.

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É claro que as histórias relatadas são recortes simplificados de vidas complexas, porém quando observamos o que poderia explicar o atual momento de cada uma, vamos enxergar que a presença ou ausência do desafio fez toda a diferença. Mas afinal o que é desafio? Defino como a mola propulsora do ser humano. É o que nos move, mobiliza, nos lança na aventura do desconhecido e faz com que despertemos talentos e descubramos habilidades que se quer sabíamos possuir.

Hoje muito se fala em objetivos e metas, quando na verdade o que está por trás é a consciência de propósito e significado. Esses dois últimos parâmetros são pessoais e perpassam por questões como valores, crenças, paradigmas, visão de mundo, etc. Assim, a cada fase da vida e no processo natural de desenvolvimento, somos impactados por novos desejos, necessidades e buscas que nos levam a novos resultados.

No âmbito corporativo, enxergamos a migração do foco das empresas do padrão produzido (repetição) para o padrão de qualidade ao menor custo. Hoje, outras prioridades passaram a se tornar preponderantes, assim inovação e competitividade são as meninas dos olhos empresariais. Para isso, é necessário que pessoas trabalhem disponibilizando seus melhores talentos, compartilhando conhecimentos e desenvolvendo novas formas de usar os mesmos recursos. Mas como fazer isso se esses profissionais não tiverem clareza sobre quem são, o que querem, quais são suas forças e fraquezas?

É aí que o desafio entra com sua força. Ele traz o sentido que falta para as nossas buscas, quebra a inércia de conceitos e paradigmas antigos e que só provocam desconexão com o nosso EU. Ele se faz presente na forma do autoconhecimento e da mudança de mentalidade que gera novos resultados. Adotar um esporte radical, aprender a cozinhar, escrever um livro, criar um projeto social, fazer uma faculdade, são alguns exemplos de desafios que irão abrir novos campos de possibilidades na mente, no corpo e na alma.

Horward Gardner, em 1981, revolucionou o mundo acadêmico com sua Teoria da Inteligências Múltiplas, onde mapeia as sete inteligências humanas: inteligência linguística, inteligência interpessoal, inteligência intrapessoal; inteligência lógico matemática, inteligência musical, inteligência espacial e inteligência corporal sinestésica. Esse psicólogo cognitivo derrubou a ideia de medir QI (quociente de inteligência) a partir de testes de lógica e afins. Ele veio para esclarecer que nosso campo de habilidades para resolução de problemas é muito maior e mais complexo. E, que quando o ser humano usa seu infinito potencial para superação, transformação e criação de novas possibilidades, mudanças acontecem na própria vida e meio social em que convive.

Assim, quando desafiamos a nossa mente, verdades e ideias pré-concebidas, vamos encontrar um novo terreno fértil para semear, não importa a idade, o sexo ou a classe social ao qual pertencemos.

Que tal aprender a dançar um tango? E que bons desafios soprem em seu favor!

 

Cristina Gaspar | Coach de Alta Performance e Carreira | Trainer & Palestrante

É idealizadora do BLOGSFERAS desde 2010