MODELOS DE NEGÓCIO, INOVAÇÃO E O DESIGN THINKING

Com a explosão da chamada Nova Economia, teóricos passam a observar modelos de negócio que efetivamente agregam valor e se traduzem em oportunidades de expansão e desenvolvimento.
Mas afinal, o que é Modelo de Negócio? Segundo Dornelas, trata-se da organização da ideia e sua transformação em uma maneira de executá-la que cria valor. Por isso, para pensar e entender o modelo de negócio mais adequado para uma empresa é preciso responder perguntas como: “quem é o cliente/consumidor?” “o que gera valor?” “como o negócio se remunera?” “quais são os recursos necessários?” “como se estruturam os processos?”.
Responder estas perguntas significa descobrir quais são as capacitações organizacionais, além de exercitar o pensamento estratégico fundamental para o sucesso de qualquer negócio. Tais capacitações, por sua vez, consistem na complexa combinação de ativos, pessoas, valores, cultura e processos operacionais, consistindo em atributos-chave na determinação das vantagens competitivas. Prahalad e Hammel afirmam que esta “complexa combinação” é o que determina a definição do modelo de competências essenciais de uma Organização, permitindo assim desvendar o caminho para a aprendizagem organizacional.

MODELO DE NEGOCIO

 

Aqui começa um olhar especial para a importância da inovação no contexto do negócio. É preciso entender que inovação só existe quando uma ideia é criada, aplicada e é transformada em valor para empresa e/ou mercado. Portanto, inovar deve sempre implicar em mudanças, seja na adição de algo novo seja na recombinação de recursos existentes.

Tendo em vista os ambientes competitivos, em geral toda empresa requer alguma dose de inovação em seu processo operativo. No entanto, quase sempre o que se vê são ideias desconectas do core business ou mesmo dissociadas do que de fato agrega valor ao cliente ou consumidor final. Foi assim que Osterwalder e Pigneur propuseram um framework que facilite a visão sistêmica do negócio e propicie o uso da inovação em sinergia com o mesmo.

MODELO CANVAS

 business model canvas

 

Na perspectiva do empreendedorismo, Schumpeter ressalta que o principal fator motivacional do empreendedor é a possibilidade de ganhos extraordinários. Em outras palavras, a inovação é o agente capaz de tirar a competição da mesmice e criar uma dinâmica de mercado efetivamente empolgante na criação de valor e de vantagem competitiva.

 

O CONCEITO DESIGN THINKING

Ainda que o conceito de Design tenha surgido desde o início da era Industrial, sua importância para as empresas só veio à tona no século XXI. No Brasil, na década de 50, o design esteve associado às propriedades formais e à estética do objeto. Por outro lado, Kotler defende que deve estar presente em todo o desenvolvimento do produto. Em 2003, Mozota afirma que: “o design como estratégia é um reflexo do novo ambiente competitivo, que busca alternativas para alavancar o resultado das organizações através da inovação”.
É em 2009 que o conceito começa a tomar formas organizacionais, quando Brown afirma que o Design Thinking é uma abordagem que se apropria do processo mental do designer para a resolução de problemas para atender às necessidades das pessoas, dada uma tecnologia e uma necessidade comercial. Assim, a abordagem saiu do restrito âmbito da forma e da estética, sendo utilizada para resolução de problemas, geração de inovações e obtenção de vantagem competitiva.
O Design Thinking consiste em dar forma a um contexto em vez de tomá-lo como ele é. É desafiando padrões, fazendo e desfazendo conjecturas que os design thinkers inovam. Na prática, para que o conceito seja aplicado de fato é necessário o uso de três competências: Insight, Observação e Empatia.

  • OBSERVAÇÃO: é a capacidade de identificar inter-relações entre as partes de um contexto. O Design Thinker deve buscar encontrar casos extremos para entender os usuários que vivem, pensam e agem diferentemente.
  • INSIGHT: é a capacidade de utilizar a Análise e a Síntese. Ou seja, é quebrar problemas complexos para entendê-los melhor, e em seguida agregar os pedaços e desenvolver ideias, novos conceitos e novos produtos.
  • EMPATIA: momento de conectar as informações às pessoas e extrair daí a proposta de solução. A empatia consiste em observar com os olhos de quem a vivencia.

Brown argumenta sobre a importância de “tangibilizar” as ideias saindo das tradicionais linguagens escrita e numérica e usando desenhos e protótipos simplificados. Ele também diz que há três momentos no Design Thinking: Inspiração, Ideação e Implementação. Inspiração é a hora de identificar o problema através de perguntas que ampliam a visão da questão e obtém insumos para a geração de novas ideias. Daí o segundo passo é a Ideação que consiste na discussão exaustiva (brainstorming) acerca dos insights para solucionar a “imagem comum”, transformando-os em ideias. Por último, a Implementação entra para transformar as ideias em planos de ações. Em cada um desses momentos há um conjunto de metodologias apropriadas ao conceito.

O objetivo do presente post é apenas introduzir o assunto, mostrando como este novo conceito se encaixa na construção de modelos de negócios e de mudanças culturais que prezam a aprendizagem contínua. Porém, ele não encerra o tema e muito menos se propõe a esmiuçar metodologias envolvidas e já utilizadas pelos designers thinkers.  A sugestão é ler o artigo INOVAÇÃO EM MODELOS DE NEGÓCIO, do formando Victor Bueno, premiado pela FEA-USP em 2013, disponibilizado abaixo aos leitores do BLOGSFERAS. É interessante o case apresentado, onde é possível entender a aplicação prática do conceito.
Até breve!!!

 

Texto baseado no artigo de Victor Leonard Gaspar Bueno – FEA USP – Ano 2013.

Artigo – Victor Bueno – Inovacao em Modelos de Negocio, Aplicacao Design Thinking

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