O HORMÔNIO DO ESTRESSE E O DESEMPENHO

O tempo todo lemos, falamos e ouvimos algo sobre o estresse, sobretudo sobre os danos que ele causa na nossa saúde física, mental e emocional. De fato, este é um dos principais vilões da vida contemporânea, mesmo para quem vive afastado dos grandes centros urbanos.
Mas, muitas vezes, é preciso fazer justiça e trazer à tona outra vertente dessas verdades que a mídia e os profissionais da saúde defendem como absoluta, sem nenhuma intenção de atacar ou contrapor opiniões pautadas em bom senso e conhecimento científico.
Há cerca de um século, dois psicólogos chamados Yerkes e Dodson iniciaram estudos para entender como o Eixo HPA (circuito que descarrega os hormônios do estresse) aciona a amígdala – massa esferoide situada no sistema límbico e é um importante centro regulador do comportamento sexual, dos sentimentos e da agressividade. O que de fato eles buscavam, era entender como o cérebro opera para facilitar ou dificultar o desempenho do ser humano numa determinada área ou tarefa (profissional, acadêmico, esportivo, aprendizagem, etc.).
Nesta pesquisa, Yerkes e Dodson descobriram que há três estados que representam o desempenho: ÓCIO, FLUXO e ESGOTAMENTO. Todos têm impacto real na capacidade de uma pessoa desempenhar, sendo que o ócio e o esgotamento interferem negativamente e prejudicam o resultado; já o fluxo é capaz de elevar a capacidade produtiva a níveis bem positivos.

O IMPACTO DO ESTRESSE SOBRE O DESEMPENHO

Com o avanço da neurociência, a tese de Yerkes e Dodson pôde ser testada e comprovada, mostrando exatamente como isso funciona em nossa fisiologia. Para facilitar este entendimento, observem o gráfico a seguir:
 

grafico do estresse X desempnho
Segundo os neurocientistas, o segredo do desempenho está na dosagem que recebemos do hormônio do estresse; se pouco, ficamos entediados e se muito, estressados. Mas, na verdade, esta lei não é tão simples assim. Tudo acontece a partir da composição SER HUMANO + OBJETIVO + MEIO AMBIENTE e é aí que tudo se complica! Porém, Daniel Goleman traz algumas conclusões interessantes e úteis ao papel de liderança e mesmo de autogestão.

Assim, a pergunta mais apropriada neste momento é: como manter os membros de nossa equipe na zona do estresse bom (ZONA DE FLUXO – ALTO DESEMPENHO)?

Para responder esta questão, é necessário analisarmos as três zonas de desempenho e contextualizá-las no mundo organizacional. Vamos lá?

ZONA DE OCIOSIDADE

400_F_41956640_znK7erff0arw8VhVMuyl6pGt530UAbzzEstado em que o ser humano tem pouca ou nenhuma motivação. Nesta zona, o grau de toxidade do hormônio é baixo, mas, em contrapartida, o desempenho está muito aquém ao esperado. Sabe aquele profissional que só faz o suficiente para manter o emprego? Falta brilho no olhar, há demonstra conexão com as metas e objetivos, não há empenho.
Pesquisas mostram que empresas com alto desempenho têm 10 vezes mais funcionários empenhados do que desinteressados, ao passo que companhias de desempenho médio há somente 2 funcionários empenhados para cada um dos desinteressados.

  400_F_15456753_I7iK5aDCokbCcRb50DilTx4ZptZERz6ZZONA DE ESGOTAMENTO

Aqui é quando as exigências tornam-se grandes demais, quando a pressão oprime. Nesta zona, o organismo libera uma dose excessiva de hormônio do estresse e isso começa a interferir na nossa capacidade de trabalhar bem.
Quando entramos na zona de esgotamento torna-se impossível aprender, inovar, escutar e planejar de forma eficaz. Na verdade, os custos do estresse neste nível, por tempo prolongado, vão além do desempenho, pois afeta o sistema imunológico e nervoso, portanto destrói a saúde.
Além disso, evidenciam-se mudanças comportamentais negativas, como perda da capacidade cognitiva, perda de envolvimento emocional com o meio ao qual interage e desinteresse. 

400_F_44112645_GuY4ggG2mqDGleB0qcs1eunUlskM8HxEZONA DE FLUXO

É a chamada zona de desempenho ótimo e de estresse bom. Representa um pico de autorregulação – máxima subordinação de emoções ao serviço do desempenho ou da aprendizagem.
Aqui o foco do indivíduo não se distrai e há até mesmo euforia na realização da tarefa ou ação. É quando alcançamos o estado genuíno de uso do melhor de si. Arrebatamento, concentração inabalável, agilidade e flexibilidade em responder a desafios, eficiência cognitiva máxima, sentimento de prazer com o que realiza, são exemplos do que acontece quando o ser humano encontra-se nessa zona.

Concluindo: quanto maior o número de funcionários na zona de fluxo, maior a chance da empresa obter alto desempenho. Daí é necessário voltarmos à questão anteriormente feita: como fazer a gestão do estresse na equipe a fim de obter o melhor desempenho?
Pessoalmente, acredito que a chave do sucesso para ter uma equipe de alta performance está mesmo nas mãos dos líderes. Primeiramente através da capacidade de estabelecer e comunicar com eficácia quais são os objetivos do grupo. Depois, de saber colocar cada membro da equipe na exata posição de suas habilidades e talentos. E, por último, de perceber o potencial e os limites de cada um frente aos desafios.
Ajustar as exigências às capacidades da pessoa é uma questão de observação e dosagem. Se o empenho estiver subaproveitado aumente o desafio ao ponto dela mostrar sinais claros de seu envolvimento com o objetivo. Se notar que o funcionário está oprimido, reduza a carga, dê apoio, identifique qual é o ponto que está causando o estrangulamento – falta de capacitação, prazo de entrega apertado, ausência de recursos necessários, etc. Uma boa dica é focar na capacidade de concentração do indivíduo na tarefa, se notar que está disperso ou confuso, ele não está na zona de fluxo, portanto é preciso agir para realinha-lo.
Assim, seja na psicologia seja na neurociência, a importância de conhecer os talentos e habilidades e explorar positivamente os pontos fortes do profissional é totalmente relevante para se atingir alto nível de desempenho e produtividade. Alinhar pessoas, funções e desafios, resulta na principal missão do líder de sucesso. Por isso, observe e aja com inteligência emocional.

Cristina Gaspar
Consultora e Coach
Texto baseado no livro de Daniel Goleman – A Inteligência Emocional e a Neurociência
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