O MODELO MENTAL NAS ORGANIZAÇÕES

400_F_37958002_Pm14rj5f7kYSuLgjp3uHnW20rjmgxMXDSomos o que pensamos. Vemos o que conhecemos. Ouvimos e sentimos a partir de nossas próprias verdades. É assim que o ser humano funciona e age nas suas interações sociais. Já desde a primeira infância vamos formando nossos valores, crenças e visões de mundo e quando nos relacionamos com outros seres humanos, essa é bagagem que disponibilizamos para a troca.

Segundo Peter Senge, o que temos em nossas mentes são imagens, premissas e histórias. É a partir disso que criamos os nossos modelos mentais que determinam as nossas ações. A cada experiência vivida nosso mecanismo cerebral forma generalizações, espécies de simplificações do todo que não pode ser completamente entendido. Assim, a complexidade humana se estabelece, uma vez que cada ser tem seu próprio arcabouço de vivências, lhe conferindo a rica característica da diversidade.

Tanto nas intervenções de coaching individual quanto de desenvolvimento de lideranças e equipes de alta performance, é preciso olhar e identificar quais são os modelos mentais que estão presentes e que estão impedindo os saltos quânticos das mudanças necessárias.

Senge defende que qualquer Organização necessita criar um ambiente propício à aprendizagem e que só através desta competência é possível enfrentar as turbulências das frenéticas mudanças do mundo corporativo. Observando mais profundamente este contexto, em consonância com a tendência do conceito Design Thinking que incentiva o uso da criatividade, vemos que trata-se de um desafio e tanto.

400_F_47639201_nEdVlbNFdp7B7lRTEGhaiqs47ou5s5UWOs pré-requisitos da “empresa que aprende” pedem o estímulo da prática de duas habilidades: abertura e mérito. Abertura é a capacidade de refletir e discutir outros modelos mentais ou outras formas de enxergar o problema. E mérito, é a validação que cada membro de uma equipe específica dá para uma dada ideia, sempre em sintonia com os propósitos e interesses coletivos (ou corporativos).

Para colocarmos isso em prática é necessário termos um olhar mais sistêmico desta empresa. Primeiramente, devemos considerar os aspectos culturais que ajudam e impedem este exercício. Quais são as verdades dessa empresa? No que acreditamos e não duvidamos nunca? O que é possível em nosso mercado? O que não é aceito ou valorizado por nossos clientes? Enfim, podemos lançar mão de perguntas que mergulhem nas entranhas das crenças rígidas que embasam a cultura organizacional e questioná-las a partir de uma nova visão de futuro compartilhada.

Também devemos observar se as infraestruturas que suportam o desempenho dos profissionais estão adequados ou orientados ao aprendizado. Em geral, criamos procedimentos que certamente facilitam o dia a dia produtivo, mas que quase sempre ancoram os líderes nas chamadas zonas de conforto. Por isso, a flexibilidade é essencial para que se alcance este movimento contínuo de questionamentos e novas experiências.

E, por último, agregamos ferramentas que ampliem a consciência pessoal e coletiva das habilidades reflexivas. Realizar periódicos workshops ou encontros de líderes para chacoalhar mentes criativas, poderia ser um bom exemplo. Desenvolver jogos corporativos ou mesmo criar espaços para conversas (que em latim significa conversare – mudar juntos) também!

Em todas as três formas de trazer à tona os modelos mentais e explorar a abertura e o mérito, as habilidades implícitas a serem exercitadas e aprimoradas são: ARGUMENTAÇÃO, REFLEXÃO e INDAGAÇÃO.

Assim, precisamos partir do pressuposto de que cada um percebe ou vê o problema de um jeito e que a minha verdade não é única. Também concedo abertura para o outro trazer os fatos e argumentos que comprovam a sua tese. Refletimos juntos e, quem sabe, uma nova verdade surge.

Implantar este conceito nas empresas é uma tarefa pra lá de difícil, mas é tão rica e transformadora que merece, ao menos, ser analisada com carinho e atenção. Que tal começarmos nos perguntando corporativamente: “Quem eu quero ser?”

 assinatura blog

 

Anúncios

2 comentários sobre “O MODELO MENTAL NAS ORGANIZAÇÕES

  1. É muito gratificante receber seu comentário e elogio, afinal é essa a função do BLOGSFERAS, provocar reflexões sobre o tema desenvolvimento humano e organizacional. Vou pensar sim no desdobramento do tema deste post e quem sabe trocamos um pouco mais de conhecimentos e experiências? Abraços, Cris Gaspar

    Curtir

  2. Muito bom Cris. A abordagem do Design Thinking realmente está à quebra de conceitos e paradigmas, ao olhar sob novas perspectivas e geração de insights, tudo isso passa, e muito, pelo reenquadramento do modelo mental e da aprendizagem com o processo. Gostei da amarração do conceito com a dinâmica das empresas – tidas como organismos vivos – e do ambiente complexo em que estão inseridas.

    Aguardo ansioso por textos aprofundando o tema levantado.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s