GESTÃO DO EU: DISPOSIÇÃO MENTAL REFLEXIVA

Hoje, o que um administrador tanto precisa é parar e pensar – recuar um passo e refletir com atenção sobre suas expectativas. No livro Rules for Radicals, Saul Alinsky defende a interessante tese de que um acontecimento só vira experiência depois de submetido a uma reflexão ponderada: “A maioria das pessoas não acumula um conjunto de experiências.

A maioria passa a vida transitando por uma série de acontecimentos que passam por seus sistemas sem serem digeridos. Assim como uma informação só se torna uma aprendizagem quando é expandida para uma ação efetiva, quando o objeto de reflexão migra para uma experiência pessoal”.

Sem que se estenda o significado, a gestão é um ato mecânico. Daí tomamos a reflexão como um espaço suspenso entre a experiência e a explicação, no qual a mente estabelece conexões. Imagine uma reunião na qual alguém subitamente explode numa investida pessoal. Sua inclinação é ignorar ou desconsiderar o destempero – afinal, você ouviu dizer que o sujeito está com problemas em casa. Por que não aproveitar para refletir sobre sua própria reação – seja constrangimento, raiva ou frustração – e, com isso, identificar em você mesmo certos sentimentos análogos? Para você, sua reação torna-se uma experiência de aprendizagem: entre sua experiência e sua explicação, você abriu espaço à imaginação. Isso pode fazer toda a diferença.

Uma organização talvez não precise da turma do “espelho” que vê em tudo apenas um reflexo de seu próprio comportamento. Mas tampouco precisa da turma da “janela”, incapaz de enxergar além da imagem diante de seu nariz. Precisa, antes, do administrador que veja dos dois jeitos – que olhe pela janela ao amanhecer e veja, por trás de seu reflexo, o mundo que se descortina lá fora. “Refletir”, em latim, significa em dobrar, recurvar, o que sugere que a atenção, antes de voltar-se para fora, precisa voltar-se para dentro. Isso implica transcender a introspecção. Implica olhar para dentro para melhor olhar para fora e encarar algo familiar de forma diferente – um produto como serviço, ou um cliente como parceiro. Não estaria aí uma descrição do modo de pensar de administradores realmente bem-sucedidos, dos Andy Groves da vida? Compare essa gente aos Messiers e aos Lays, que surpreendem com suas megafusões e estratégias grandiosas e no final afundam a empresa.

Da mesma forma, um executivo reflexivo consegue olhar para trás antes de olhar para frente. Uma “visão” de sucesso não surge imaculada; é pintada, pincelada a pincelada, com base em experiências passadas. Um executivo reflexivo, em outras palavras, tem um saudável respeito pela história – não só a grande história de acordos e fiascos, mas também a história cotidiana de todos os pequenos atos que fazem uma organização funcionar.

É preciso entender o passado quando se quer usar o presente para garantir um futuro melhor.

Texto extraído da Harvard Business Review – Novembro 2003

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3 comentários sobre “GESTÃO DO EU: DISPOSIÇÃO MENTAL REFLEXIVA

  1. Boa noite… gostaria de citar este artigo em minha monografia… porém, estou com dificuldades em identificar o autor deste texto especificamente… fico no aguardo de um retorno o mais pronto possível… grato pela atenção!

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  2. Os artigos que estão sendo publicados estão simplesmente ótimos, refletindo a forma de pensar da ótima Cris e que com certeza resultará em ótimos trabalhos nesse pobre mundo da gestão de RH.

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